A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspende a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão tem dividido opiniões – aliás algumas muito calorosas.
Como jornalista sinto que pegaram o meu diploma e o jogaram no lixo. Não vou disfarçar a frustação, mas, também, vamos ser realistas: fico mais decepcionada ao encontrar tantos colegas de profissão despreparados para o cumprimento do ofício.
Quando menciono o despreparo, estou falando daqueles que lotam as faculdades particulares espalhadas pelo Brasil, se formam de qualquer maneira (aliás, pagam muito caro e dificilmente serão testados e preparados da forma como deveriam ser), depois ganham o diploma e acham que estão prontos para informar a “verdade” e prestar um grande serviço à sociedade.
Não tenho vergonha de falar. Estudei em uma dessas faculdades e considero que o meu maior aprendizado, durante os quatro anos de estudo, foi com a prática e não com a teoria. Tive bons professores, outros nem tanto e alguns péssimos. Lá aprendi que quem faz a “escola” é o aluno e tive mais certeza disso, quando comecei a frequentar a Universidade de Brasília – UnB e percebi que na universidade a teoria ganhava de 10 a 0 , mas a possibilidade de estudar e trabalhar era praticamente inexistente. Por isso, optei pela faculdade paga e não me arrependo da escolha.
Não saí de lá jornalista. Tive que aprender a escrever bem na “marra”. Ainda tenho as minhas deficiências – escrevo e falo muito (o meu perfil está aí para provar). Então a pergunta que não quer calar: eu precisava desses quatro anos para saber o que eu faço hoje?
Adoro a internet, sou fascinada pelas redes do Social Media e todos os dias encontro pessoas que não são jornalistas, mas, mesmo assim, sabem escrever e o mais importante: sabem por que estão escrevendo.
Já ouviram falar da Garota sem Fio? Ela é dentista, apaixonada por tecnologia, possui um blog, é consultora em tecnologia móvel, dentista homecare e ainda é comentarista na rádio CBN, em Curitiba. Fala sério, ela é ou não tão jornalista quanto eu?
Eu acho que essa pergunta responde a minha primeira pergunta…
Os meus quatro anos de faculdade foram válidos e o meu diploma não é aquele papel que apresento toda vez que vou fazer uma pós. O meu diploma é o meu conhecimento e a minha vontade de estudar e compartilhar.
O grande erro do STF não foi transformá-lo em papel de “jornal com data de ontem”, mas, sim, em confundir liberdade de expressão com exercício profissional.
O mundo está cada vez mais conectado, a informação é cada vez mais colaborativa e a mobilidade social transforma, dia-a-dia, conhecimento em inteligência. Definitivamente a liberdade de expressão nunca foi tão presente e democrática e o exercício dessa democracia é para todos.
Mas não são todos que se destacam e realmente sabem como transmitir algo relevante. O nosso grande desafio continua sendo saber filtrar e para isso ainda não existe diploma.
Para finalizar a conversa!
Clóvis Rossi escreveu sobre o assunto: ”não há faculdade no mundo capaz de preparar quem quer que seja para a miríade de temas que a profissão coloca na pauta dos jornalistas”. Segundo ele, a ética pode ser aprendida em qualquer faculdade. “Seria prepotência demais dos professores de jornalismo – e dos jornalistas – achar que detêm o monopólio da ética”, completa.


Acabei de ler o livro de Anderson Vieira 


